
O nosso cão é um elemento da família e marca com a sua presença.
Aqui partilho um texto dedicado a ele pelo Jornalista António Martins Neves no seu blog
Atlântico Expresso:
"Leal Fernando,
quando te estou a escrever estas linhas, ele deve estar a viajar com a “família” entre o Ribatejo e Lisboa, refastelado com as crianças no banco de trás. Mal abram a porta do carro, vai ser o primeiro a sair e não se vai preocupar com malas nem carrinhos. Depois de uma semana fora, provavelmente vai querer matar saudades da casa e do gato. Se chegar de dia e lhe permitirem, ainda vai dar uma volta pelo bairro e rever os amigos da cidade, antes de tornar para conforto do lar. Segunda-feira lá volta à rotina. Sair de manhã e regressar apenas ao fim do dia, como fazem todos lá em casa.
Falo-te de “Odie”, um cachorro especial que conheci há poucas semanas. Não sabe o que é uma trela e devia ficar com uma depressão incurável se o amarrassem. Deixou-me fazer-lhe uma festa porque estava com os donos, o João e a Cláudia. Caso contrário que tirasse da ideia essa mania que os humanos têm de passar a mão pelo pêlo de um cão a sério. Está a meio (tem oito anos) de uma vida intensa e como quase todos nós nunca teve o destino nas mãos. Uma tragédia ia colocando ponto final a uma vida que acabou por se recompôr. Mas como nem tudo é mau na vida, a Cláudia viu o gesto assassino de quem atirou o cachorro janela fora ali para os lados do Pinhal Novo numa noite fria de Fevereiro. Para quem achar que a vida de um cão tem obrigatoriamente que ser má, “Odie” cá está para provar o contrário. Escapou daquele voo quase fatal e ganhou uma família a sério. E parece não se ter esquecido. Não é de esquisitices quando é hora de comer, gosta do campo e da cidade, de andar a pé ou de carro e nem levantou a voz quando um gato pequeno passou a viver lá em casa. Friorento como é, até aceitou dividir a cama com ele. Sem ponta de preconceito.
Falemos então da rua, onde o nosso cão preto passa os dias. Na idade do atrevimento, num passeio nocturno decidiu ir descobrir mundo e no meio das trevas desapareceu em plenos Olivais. Chamaram, procuraram, esperaram e… nada. O casal conformou-se: o “Odie” desaparecera. Preparavam-se para fazer o luto quando, na madrugada seguinte, ao sair de casa, Cláudia deu de caras com o vadio. “Ah voltáste?! Então espera…”, conta-me o João ter pensado na altura. Pensou e fez. Quando saiu levou-o consigo, enfiou-se sózinho do carro e acelerou. Ele lá ficou na rua. Até hoje nunca mais levou a mal aquele gesto e aprendeu a passar os dias em liberdade, situação bem mais adequada a qualquer cão do que ficar a vida fechado num apartamento a contocer-se de bexiga cheia porque os donos têm que se esfalfar lá nos empregos e apertos de cão não são argumento que se apresente ao chefe para sair antes do trabalho concluído."
Pode ler o resto em
http://atlantico-expresso.net/portugal/cao-com-sorte/2008/10